Pense numa fantasia que se passa no deserto. Agora pense numa adaptação de As mil e uma noite que arrebate seu coração com uma narrativa romântica e sensível. Se você juntar os dois, vai ter A fúria e a aurora, um romance incrível que me cativou tão logo abri o livro.

Aqui temos a história do rei Khalid, um tirano que a cada dia se casa com uma jovem diferente e que, na aurora do dia, manda matá-las. Sherazade perde sua melhor amiga para a crueldade desse rei tirano e decide se voluntariar para casar com ele – pretexto para conseguir chegar mais perto de Khalid e matá-lo, poupando outras mulheres e famílias de tamanho sofrimento. Seu plano é contar histórias para o rei e, na aurora, parar sua narrativa para deixá-lo curioso. Assim, por querer saber o fim da história, Sherazade não é mandada para a morte e ganha mais um dia para aperfeiçoar seu plano.

Acontece que, ao passar das noites, Sherazade vai percebendo que, por trás de toda crueldade de Khalid, existe uma dor imensa que ele carrega, o que a faz se questionar qual é o motivo real por trás de tantas mortes. Tentando desvendar esse mistério, Sherazade conhece cada dia mais o reino e seu rei. E acaba descobrindo que, quando se trata do amor, as pessoas vão além do que poderiam imaginar.

Sherazade, é claro, é uma personagem muito inteligente. Ela rapidamente percebe que a atitude fria de Khalid nada mais é que uma mascara para esconder seu sofrimento. E, aos poucos, Sherazade vai tirando as mascaras atrás das quais Khalid insiste em esconder seu verdadeiro eu. Isso tudo ambientado no meio de uma atmosfera de vingança e sentimentos confusos. Sem mencionar todos os problemas de governo pelos quais o reino está passando por conta da ganância de alguns. E, é claro, um romance arrebatador que vai além do que os personagens esperavam daquele que deveria ser um relacionamento de um dia.

 

Narrado na visão de Sherazade, A fúria e a aurora é uma feliz adaptação, com uma narrativa fluída e que nos vicia. E é um livro que deve agradar dos fãs de romance aos fãs de fantasia, porque Renée soube como construir uma narrativa cheia de detalhes e momentos épicos. Tão apaixonante que mal posso esperar pelo próximo livro.