Se eu categorizasse as minhas resenhas por estrelas, sendo 1 um livro ruim e 5 um livro ótimo, Sob um milhão de estrelas ganharia umas 15. Tá pra surgir um romance que me cative tanto quanto esse livro me cativou nesse ano. Eu nunca tinha lido nada da Chris, embora já houvesse escutado muitos elogios sobre a sua escrita. Decidi dar uma chance a esse livro por causa dessa capa sensacional. E agradeço até agora por um projeto gráfico tão lindo, porque essa foi a porta de entrada para essa história na minha vida.

Nesse livro repleto de sensibilidade conhecemos a machucada Alma, uma médica jovem que vai para uma cidadezinha do interior lidar com os fantasmas e ecos do seu passado. Não bastasse uma história de vida confusa e cheia de segredos por parte de sua mãe, Alma acaba de passar por um incidente no trabalho que destrói o único aspecto de sua vida que ela tinha como certo. É em Serra de Santa Cecília que seu passado encontra com seu futuro e a faz buscar mais sobre aqueles que a fizeram ser quem é.

Despedidas são sempre muito parecidas. Há dor, há lamento e um tipo de saudade próprio do momento da morte. Aquela saudade projetada. A pessoa acabou de partir, mas o fato da partida ser definitiva planta em nosso peito uma saudade enraizada, difícil e eterna. Não ter uma data para o próximo encontro é o pior tipo de saudade que existe e você sabe que não importa quanto tempo passe, ela ainda estará presente.

E é lá que ela conhece Cadu, o professor universitário dono de um bar que, por um acaso, é vizinho de sua avó – motivo pelo qual ela foi parar lá. Cadu, por sua vez, tem suas próprias cicatrizes e um relacionamento do passado que ele não consegue deixar partir. Quando ele conhece a frágil e quieta Alma, algo dentro dele se acende como não fazia há tempos. Quando Alma conhece Cadu ela começa a se lembrar os motivos que a faziam ser quem ela amara ser no passado. Juntos, esses dois vão aprender que, apesar dos machucados, eles conseguem superar as dores e seguir em frente.

Não há controle, a vida é imprevisto, improviso e um bocado de esperança.

A narrativa de Chris Mello é pura poesia. Em sua narrativa, o conteúdo vai muito além das palavras escritas. O não dito, o subentendido, tudo é usado para construir uma história profunda, especial, dolorosa e linda. Você se sente Alma, se sente Cadu, se sente um espectador e se sente parte da história, as vezes tudo ao mesmo tempo. Você ama, odeia, sofre e se alegra com os personagens que foram tão bem desenvolvidos, tão bem construídos. A trama vai muito além de Alma, Cadu e os problemas e traumas dos dois. A história é sobre eles, mas também é sobre aqueles que eles amam. Aqueles que eles amaram, e os que eles ainda vão amar. É sobre Cadu, é sobre Alma, e é sobre o amor.

Como se vive sem isso depois de conhecer? Experimentar algo perfeito é ter certeza de não ser capaz de voltar ao trivial.

E se prepare para sofrer. Para sentir o coração tão apertado que parece que ele vai desaparecer. Mas se prepare para sentir borboletas no estomago, para torcer pelos dois, para amar com os dois. Se prepare para se apaixonar pela Serra de Santa Cecília e cada morador que faz daquele um lugar tão especial. E se prepare para não conseguir esquecer Alma e Cadu. Deus sabe que, mesmo meses depois da leitura, eu não esqueci.