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Millie tem sete anos e já teve a experiência de esbarrar com algumas coisas mortas e, entre elas, seu pai está incluído. Ela já entende que todos temos que morrer um dia, mas não entende a morte em si muito bem. Mas a sua mãe também não entende muito bem sobre esse assunto, ao que parece, já que ela abandonou Millie em uma loja. Mas a menininha acaba encontrando Karl e Agatha, dois idosos que também estão tendo que lidar com o luto e, juntos, eles vão começar uma aventura em busca da mãe de Millie.

Achados e Perdidos é um livro um tanto peculiar – não podia ser diferente quando se trata de uma história assim, né? A autora conseguiu unir elementos inusitados e uma história que tinha tudo pra ser dramática e transformou em uma jornada divertida, sensível e diferente.  Com uma narrativa em terceira pessoa, temos trechos na perspectiva inocente e questionadora de Millie, na visão nostálgica do Karl e também na de Agatha, um tanto melancólica. Desse modo, conseguimos ver a história por pontos de vista tão distintos que dão à narrativa uma fluência e uma sensibilidade raras na literatura.

Eu não pude deixar de amar cada pedacinho do livro, com seus momentos engraçados, tristes e carinhosos. Os personagens, claramente em fases distintas na vida, estão unidos pelo luto – e pelos medos que o luto desperta. Mas Davis conseguiu mostrar que as perdas são parte da nossa vida, e que tá tudo bem se você não souber lidar com isso, independente da sua idade.

Prepare-se para uma leitura cativante. Com personagens apaixonantes – e reais -, Achados e Perdidos é uma lição sobre os encontros e desencontros, as perdas e os ganhos tão comuns à vida.