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Não consigo não pensar com um carinho imenso em Todo Dia, um dos livros mais sensíveis que já li na vida. David Levithan entrou na minha vida com esse livro e, desde então, não saiu mais. Quando a Galera anunciou o lançamento de Outro dia, eu mal podia esperar para ler. Sério, fiquei ansiosamente esperando o lançamento. Ainda mais sabendo que, em Outro dia, temos a mesma história de Todo dia mas pela perspectiva de Rhiannon. Mas, ao mesmo tempo que a ansiedade tomava conta de mim, o medo de me decepcionar pela nova versão também me deixava um tanto receosa. Será que David conseguiria fazer com que Rhiannon fosse tão interessante quanto A?

Nesse livro, Rhiannon é uma menina que tem sua vida presa em um relacionamento tóxico e, sua dependência em seu namorado Justin, que ela ama muito mas que só lhe dá atenção quando lhe convém, faz com que ela seja uma pessoa muito triste. Um dia, seu namorado muda completamente de postura e acaba proporcionando um dia incrível para Rhiannon. Mas acontece que, na verdade, não era Justin que havia feito com que ela se sentisse tão bem, era A – uma pessoa que muda de corpo todos os dias e, justamente por não ter um corpo só seu, não tem gênero, etnia, família ou amigos. A se apaixona por Rhiannon, o que faz com que ele tente retornar para ela todos os dias, mesmo habitando novos corpos, tentando criar algum vínculo com ela. E, Rhiannon, depois de entender o que A era, também se apaixona e dá uma oportunidade ao relacionamento deles. E, é a partir dai que muitas mudanças acontecem na vida dos dois, que precisam questionar o que acreditavam ser o normal e que devem encontrar novas maneiras de superar todos os obstáculos que eles encontrarão na vida que terão, juntos.

Sério, toda vez que abro um livro de Levithan me surpreendo, e com esse não foi diferente. Como eu fui acreditar que ele faria nada mais que uma história tocante e linda com esses personagens tão queridos? Mergulhei completamente no universo desses dois personagens cativantes, pelos quais nutro um amor muito grande desde o primeiro contato, lá em 2014. É maravilhoso poder embarcar com Rhiannon nessa aventura que é amar A e é muito bom poder entender como essa menina abordava a vida e lidava com seus sentimentos, mesmo quando eles eram mais fortes por Justin e, principalmente, quando eles foram todos endereçados a A. Também foi muito bom poder ver a história pelos olhos de Rhiannon e entender como ela enxergava a condição de A, e como ela precisava desmistificar tudo que ela conhecia cultural e socialmente para embarcar em um relacionamento fora dos padrões.

Acho que, dessa vez, ao ler a história pela ótica de Rhiannon, um pensamento foi muito presente: todos poderíamos ser Rhiannon e A. Todos, em algum momento, podemos acabar em um relacionamento que as pessoas não compreendam ou não aceitem. Pode não ser tão incomum como o caso de A, mas a verdade é que todos nós podemos ser tão diferentes para alguém quanto A é. E todos podemos nos relacionar com alguém que as pessoas não entendam. E vamos precisar de coragem. Vamos precisar desconstruir conceitos que sempre foram presentes nas nossas vidas. Mas podemos ter um final feliz, se a gente tiver a sensibilidade e a força que esses personagens mostram. De verdade.

E, por falar em final, para quem leu o livro anterior, a expectativa de termos um adendo, uma cena extra no término desse livro, era enorme. E, claro, Levithan fez isso. Com uma maestria rara, Levithan termina Outro dia com um final ligeiramente diferente do anterior, mas cria ainda mais expectativas em todos os leitores, porque ele deixa uma abertura enorme. Mas, concordamos que não poderia ser diferente, né? Não dava pra Levithan simplesmente dar um fim definitivo a essa história.

Não faz a menor diferença se você já leu ou não Todo dia: leia Outro dia. É uma história linda, tocante e sensível como poucas. É uma das histórias mais marcantes que já li. Você também vai se apaixonar.