IMG_7017Mikey não tem a vida típica de um garoto de 14 anos. Seu pai está preso há anos e, além dele não ter contato com ele, ele não tem quase notícia nenhuma, porque sua mãe se recusa a tocar no assunto. Mikey também tem uma cicatriz na cabeça, que dizem ter uma relação com a prisão do seu pai, mesmo que ele não tenha certeza, e que é o motivo das coisas parecerem muito mais difíceis de serem compreendidas por ele do que pelas outras pessoas. E, por causa da cicatriz, ele se vê tomado pelas sombras em diversas ocasiões, momentos que o permitem ver o passado do qual ele gostaria de esquecer. E, num desses momentos, ele acaba chegando em uma cena de crime em sua cidade. Será que seu pai está por perto como ele acha que está? Sera que ele tem alguma coisa a ver com a morte daquele morador de rua?

Com uma narrativa sensível em primeira pessoa, podemos ver tudo pela perspectiva de Mikey, o que faz com que toda a história tenha uma aura especial já que nosso protagonista é repleto de sensibilidade e inocência. Por ter problemas de aprendizagem, ele tem uma relação com o mundo diferente, vendo sempre as coisas com um olhar bondoso. Além da narrativa em geral, temos os pensamentos de Mikey tomando forma na história, em conversas consigo mesmo e come com seu cachorro file, Timmer.

E, além de toda a poética dessa narrativa envolvente, temos o fator mistério que paira sobre cada página do livro, desde a primeira. Mal sabemos sobre o passado de Mikey quando iniciamos a leitura, o que nos impossibilita de saber o que aconteceu de verdade com o personagem, além da motivação para que o que quer que tenha acontecido com ele fosse feito. Cada visão de Mikey acrescenta ainda mais suspense à narrativa que, mesmo sendo um infanto-juvenil, tem uma complexidade marcante.

Acompanhar a trajetória de Mikey rumo a descoberta de sua vida é uma experiência maravilhosa, imersa em momentos emocionantes e queridos, que fazem com que qualquer leitor termine a leitura de O céu noturno em minha mente com uma sensação de completude incrível.