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Raphael Montes é um dos autores que eu quero ler faz muito tempo, mas que nunca tive coragem de fato (sou do tipo romance histórico gente, e levo susto com qualquer coisa). Assim, quando surgiu a oportunidade de ler O Vilarejo, eu aproveitei. Posso dizer que definitivamente não me arrependo.

Esse livro é divido em sete contos diferentes que, durante o decorrer do livro, vão se entrelaçando e formando, para o leitor, o que seria o Vilarejo. Posso avisar que o suspense já começa no prefácio, onde Raphael diz ser o tradutor desses contos que, conta o autor, tinham sido escritos em uma língua morta. Ele diz ter recebido cadernos de um amigo, que tinha um sebo e que, desde então, ele não conseguiu parar quieto antes de traduzi-los.

Nesse prefácio somos apresentados a sete demônios, que são o título de cada um dos sete contos e, por sua vez, cada um deles é responsável por evocar um pecado capital. Então, com uma narrativa em terceira pessoa que conta a história de um habitante do vilarejo de cada vez, essas histórias se ligam ao pecado capital do demônio do título.

Os contos não estão em ordem cronológica, de forma que o primeiro conto, por exemplo, é passado em um momento em que o Vilarejo já está quase extinto – sendo, assim, posterior aos outros contos que o seguem. A cada conto é possível entender um pouco melhor a história daquele Vilarejo e de seus habitantes, mas a história só acaba mesmo no posfácio, com um final mais inesperado do que eu imaginava.

A narrativa de Raphael não é só extremamente inteligente como muito envolvente, o que leva a história para um novo nível. Os contos que compõem o livro são curtos e rápidos mas, ainda assim, cheios de conteúdo e o suficiente para deixar você no clima da leitura. Gostei tanto da experiência que pretendo ler outros livros dele em breve.