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Eu sou uma grande entusiasta de adaptações literárias porque sempre acho que saio ganhando ao ver uma história em diversos pontos de vista. E, justamente por gostar dessas adaptações, começo a leitura sabendo que o que está ali não é o original – e nem tem pretensão de ser – mas que, mesmo assim, pode ser uma ótima experiência de leitura. E foi por isso que quis ler Hyde.

Aqui, temos a história de O médico e o monstro, cuja versão original na íntegra acompanha o livro, revisitada por Daniel Levine, numa versão toda narrada pelo ponto de vista do Mr. Hyde, em primeira pessoa – o que já é uma grande mudança em comparação com o original, que era narrado em terceira pessoa.  O livro se passa todo dentro do gabinete de Mr. Hyde, onde ele se lembra de toda a sua trajetória até aquele momento em que a tragédia ameaça bater a sua porta. E, é graças a isso que temos uma nova visão sobre esse caso tão famoso na história da literatura.

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E, é claro, as mudanças não param por aqui. Enquanto no original tínhamos dois lados muito claros da personalidade de um único homem, com a versão má sendo Hyde e a boa sendo Jekyll, nesse romance começamos a perceber que esse limite não é fácil assim, fazendo com que o leitor comece a se perguntar quem, de fato, era a versão boa ou a má dessa história.

Assim, temos uma obra cheia de suspense e drama, como a original, mas que se utiliza de detalhes e buracos deixados na trama do primeiro para estabelecer sua narrativa e criar uma história que, mesmo não sendo a original, não a contradiz. Prepare-se para muita confusão, desconfiança e arrepios nessa adaptação de Daniel Levine.