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Você sabe quem é Doctor Who? Já viajou em uma TARDIS? Sua chave de fenda sônica também não funciona em madeira? Pois é, então você estacionou sua nave no lugar certo. Vamos fazer uma análise sobre a obra baseada no herói mais irreverente do mundo sci-fi, enquanto apreciamos uma última vez as cores vibrantes da constelação de Kasterborous!
Em O Prisioneiro dos Daleks temos nosso adorável Doutor na pele de David Tennant como Tenth Doctor (o décimo Doutor). Como de costume, ele estava no lugar e no tempo errados. O tempo? Um pouco antes da Guerra do Tempo. O local? Hurala, um posto de abastecimento no espaço, abandonado em meio ao caos dos conflitos entre Daleks e o resto da existência. Foi aí que o Doutor conheceu toda a tripulação de Peregrina, uma nave chefiada por Bowman, acompanhado de seus tripulantes Stella, Scrum, Vanguarda e Koral.
O relacionamento entre nosso protagonista e o grupo de mercenários se inicia após um ataque realizado por um Dalek e uma perda inesperada (e irreparável também), o que conta muitos pontos a favor, já que a série de Doctor Who tem essa mistura do humor com a tragédia, sempre tirando dos fãs alguém que ganhou a simpatia deles com o tempo. Claro que nessa obra não seria diferente.
Ao longo da aventura, eles unem suas forças e deixam de lado as diferenças para combaterem um inimigo em comum que está disposto a voltar ao primórdio do tempo para extinguir a raça humana. Como sempre, vemos em Doctor Who a capacidade humana para o mal, mas também o seu potencial para fazer o bem (o que, alías, é uma das maiores lições que podemos tirar a bordo da TARDIS).
Eu não sabia quem era Trevor Baxendale até conhecer essa obra (o que me fez questionar minha preguiçosa fanboyzisse por Doctor Who). Autor de diversas aventuras da franquia (lê-se aqui Torchwood e The Sarah Jane Adventures), Baxendale ajudou a enriquecer esse universo admirado por whovians mundo afora. Ele usou elementos bastante comuns ao que vemos nos episódios da série para construir o desenvolvimento da história, geralmente com uma cena apresentando as figuras secundárias que farão parte do núcleo da trama, seguido de uma narrativa cômica vivida pelo querido Doutor.
Escrito em terceira pessoa, O Prisioneiro dos Daleks consegue captar a essência do décimo Doutor e colocar sua personalidade na escrita, o que é muito bom, afinal, David Tennant desempenhou brilhantemente seu papel como Senhor do Tempo e deu muita personalidade ao protagonista, de forma a se tornar o preferido para a maioria dos fãs.
Apesar disso, acredito que a narrativa falhou na hora de descrever lugares e personagens. O universo Who é muito rico, cheio de detalhes, luzes, nomes curiosos e bugigangas. A leitura poucas vezes deu uma boa forma ao cenário, deixando a carga da imaginação daqueles que estão acostumados com os corredores longos de naves e portas pneumáticas que vemos na série. Acredito que com umas cinquenta páginas a mais (o livro tem menos de 210 páginas!) a obra poderia se enriquecer muito mais com detalhes.
Trevor Baxendale conseguiu honrar a marca da franquia fazendo uma bela história, deixando os fãs mais saudosos com aquela nostalgia no peito. “I don’t wanna go” doeu um pouco menos depois de ter lido esse livro, quanto a isso não há dúvidas. Saber que o décimo Doutor ainda está por aí fazendo suas viagens no tempo faz o fã sentir que ele nunca de fato foi embora, apenas se escondeu dos nossos olhos pra não bagunçar a linha do tempo outra vez.
Se você é fã de Doctor Who, vai conseguir matar um pouco da saudade nesse livro, e vai se sentir como um acompanhante do Doutor em mais uma aventura correndo dos saleiros gigantes (conhecidos como Daleks).

Allons-y!