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Primavera
é um clássico estoniano, escrito por Oskar Luts, e foi publicado originalmente em 1912. Uma das coisas que eu mais amo na parceria com a editora Biruta é a possibilidade de estar em contato com clássicos da literatura mundial, que tem sempre uma apresentação impecável nas mãos dessa editora.

Conhecemos, assim, a rotina de Arno Tali e Teele Raja, duas crianças que estudam em uma escola paroquial de uma cidadezinha no interior da Estônia. A escola é quase um internato, já que muitos dos estudantes dormem por lá, mas nem por isso todos que ali estão são o exemplo de crianças que o sacristão que dirige a escola gostaria. E, acho que a gente pode dizer que Primavera fala sobre as peripécias de ser criança, só que nesse contexto bem distante do nosso: um país sob domínio soviético, nos anos 1900, numa escola de cunho religioso.

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Como dito ali em cima, vamos acompanhar mais de perto a vida de Arno e Teele, duas crianças que são bem diferentes entre si: Arno é inocente e de bom coração, o que faz com que ele seja até ingênuo demais. Teele é uma menina que a gente consegue imaginar bem, por ser a imagem da época: família rica, estudante que ajuda nas tarefas de casa e espera por um pretendente. E, se você imaginou que Arno tem um sentimento de carinho um pouco maior por Teele, você está certo. Mas não se preocupe, porque essa trama não tem nada de romântica.

Um dos pontos que eu considerei muito positivos na leitura é ter a chance de conhecer uma cultura tão diferente da minha. Claro que a Estônia teria costumes diferentes dos meus, aqui no Brasil, mas a Estônia de 1900 é ainda mais distante da minha realidade atual. No livro, temos crianças violentas que bebem vodka como adultos, que andam com armas e que não vêem nenhuma estranheza nisso. Esse tipo de choque cultural é sempre bem vindo, tanto para lembrarmos do que já superamos no quesito evolução, quanto para lembrarmos que o mundo é enorme, e nossos costumes nem sempre serão tidos como os mais acertados.

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Acho importante frisar que essa não é uma leitura corriqueira; abrir um clássico da literatura com a intenção de encontrar um bestseller dos dias atuais é pedir para ter uma experiência tenebrosa. É preciso estar aberto a aprender, a escutar o que a história quer nos dizer, esquecendo os modelos de leitura a que estamos acostumados. Em Primavera, por exemplo, não existe um clímax. Só existe a narrativa de um período de tempo da vida daquelas crianças. Mas, nem por isso, o livro deixa de ser bom. Só é preciso estar disposto a ter novas visões de mundo.

Além disso, essa edição está incrível, com ilustrações lindas de Sandra Jávera que trazem um pouco mais de charme à uma obra já tão completa em si mesma. Uma leitura envolvente e cativante que, como já sinalizado pela própria editora, foi feita para o leitor crítico.