IMG_9790Em Nós, os Afogados, temos uma história épica que compreende 100 anos e diversas gerações de marinheiros de Marstal, uma cidade da Dinamarca. Passando pelos mais exóticos lugares, como a Terra Nova, Cingapura e Islândia, a história nos mostra diversos panoramas e cenários repletos de detalhes ricos e envolventes, sempre retornando à Marstal, sempre retornando às mulheres que por lá ficaram – a espera de seus marinheiros, vivos ou não.

É impossível não se encantar com essa saga de marinheiros que, no mar, encontram seu lar e nos mostram suas vidas, com suas alegrias e decepções. A narrativa de Carsten Jensen é uma celebração desse estilo de vida que, há muito, foi deixado para trás, assim como uma descrição fiel e não romantizada do que fora a Europa no passado. Sempre em busca do desconhecido, esses marinheiros deixavam suas vidas em terra, para descobrir outras vidas no mar.IMG_9791IMG_9792IMG_9793Com uma história que transforma o narrador em personagem, trazendo-o para a história como um ponto importante, Jensen nos faz refletir sobre aquelas vidas, aqueles relatos, às vezes tão realistas que se tornam quase palpáveis, às vezes tão surreais que nos fazem pensar duas vezes antes de acreditar. Por não girar em torno de um personagem, mas de diversas gerações, a história não tem um único acontecimento no qual devemos focar; na verdade, ela nos faz navegar tanto quanto aqueles marinheiros, então mergulhamos em águas profundas com as histórias e suas densidades, assim como flutuamos com a narrativa quando ela nos mostra um contexto mais leve.

Quando a Tordesilhas ofereceu o livro, nos alertou sobre a quantidade de páginas – mais de 600 – mas, quando solicitei, não imaginava que a quantidade não interferiria em nada. Por mais que seja uma leitura longa, ela foi extremamente prazerosa para essa amante de história e das epopeias que já leu. Assim, quando comecei a leitura e, aos poucos, fui conhecendo mais sobre cada cultura de cada lugar onde os personagens passavam, fui me apaixonando mais. Recomendo a leitura porque, quando o livro terminou, não queria mais sair daquelas águas revoltadas, nem deixar o navio para trás.