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Gayle Forman é uma das minhas autoras preferidas – não por Se Eu Ficar, que eu acho chato, mas por todos os outros livros, inclusive Para Onde Ela Foi (que é muito melhor que o primeiro). Assim, quando a Arqueiro anunciou que lançaria Eu Estive Aqui, mal pude esperar para por as mãos nele. E já adianto: não me arrependo nem um pouco da leitura. <3

O livro é narrado por Cody, uma jovem que acaba de perder sua melhor amiga, Meg. Acontece que essa perda é ainda mais cruel para Cody porque Meg se suicidou. E, como sua melhor amiga, Cody tenta entender onde foi que ela deixou de estar presente na vida de Meg para não perceber que sua amiga achava que não valia mais a pena viver.

Quando os pais de Meg pedem a Cody para que ela busque os pertences de sua filha no alojamento da faculdade que frequentava, Cody não pensa duas vezes. E, ao chegar lá, ela começa a descobrir que a vida de Meg não era exatamente como ela descrevia quando elas entravam em contato. Ela conhece os colegas de alojamento de Meg e, com eles, descobre que sua amiga guardava segredos. Mas é quando Cody tem acesso ao computador de sua amiga que as coisas mudam de figura. Tudo porque ela descobre arquivos que a fazem repensar as circunstâncias da morte de sua melhor amiga.

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Em Eu Estive Aqui, Forman consegue construir uma narrativa sensivel e brutal, representando toda a dor e a amargura que Cody sente frente a morte de sua amiga. Como não tem uma vida muito comum, Cody já tinha que lidar com os problemas de sua vida em casa – que envolvem uma mãe ausente, a necessidade de trabalhar para se manter e a impossibilidade de seguir seu sonho de frequentar a faculdade com Meg por não ter dinheiro. Agora, além de seus dramas já complexos pra uma garota de 19 anos, Cody precisa lidar com o luto de perder a pessoa com quem compartilhou tudo durante toda a sua vida.

E um dos pontos que Gayle explora, em meio à todos os sentimentos complexos que Cody está sentindo, é como a vida das duas amigas é extremamente diferente uma da outra – Meg tem uma família estruturada, seus pais a amam e sustentam, ela pode ir pra faculdade dos sonhos – e, ainda assim, Meg opta por tirar a própria vida. E, é claro, o fato de Cody não entender como sua melhor amiga optou por morrer e nunca comentou sobre isso com ela é outro ponto desenvolvido na narrativa.

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A história vai avançando não somente nos sentimentos de Cody, mas no contexto em que ela está. Conforme ela vai descobrindo novas versões da vida de Meg, ela vai ficando curiosa e tentando descobrir mais sobre o cenário em que Meg estava, fazendo com que o suspense seja inserido na trama e, consequentemente, nos fazendo ficar curiosos sobre o que acontecerá em seguida.

Por ter melhores amigas que amo, e com as quais compartilho tudo, me identifiquei um tanto com os sentimentos de Cody. Ela se sente traída por Meg, se sente confusa e, acima de tudo, se sente muito triste por perder a pessoa com quem ela compartilhava tudo. Forman criou uma narrativa que segue o fluxo de sentimentos da personagem – o que a torna um pouco mais real por isso.

Se falar sobre suicídio é difícil, a forma como Forman nos leva a refletir sobre isso ameniza – um pouco – essa dor. Gayle conseguiu escrever uma história sobre a perda – e sobre o amor, a falta e como, mesmo que a gente não entenda, existem coisas além de nós mesmos afetando nossa vida. Se prepare para uma leitura que transborda sentimentos, que nos leva por caminhos desconhecidos e que tem um desfecho inesperado – mas incrível.