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A Rainha Vermelha surgiu na minha vida cheia de burburinhos ao seu redor. Eram tantas pessoas falando desse livro ao mesmo tempo, que tive medo de criar muitas expectativas e acabar me decepcionando. Li a sinopse e me apaixonei: era o tipo de história que eu estava precisando. Assim que ele chegou aqui em casa, corri na frente da Larissa e comecei a ler antes que ela pegasse a vez. E, quando acabei, fiz ela parar o que estava fazendo porque eu PRECISAVA QUE ELA CONHECESSE A MARE. E toda a história dessa protagonista incrível.

Mas, vamos à resenha para vocês entenderem minha obsessão.

Assim que o livro começa, somos apresentados a Mare e sua realidade um tanto cruel. Ela é uma vermelha, o que significa que a miséria é via de regra, e que sua família e seus vizinhos vivem na mesma situação. A sociedade por lá era divida pela cor do sangue que tinha – se você tinha sangue vermelho, era só mais um da plebe. Se tem sangue prateado, você não só pertence à elite, como carrega poderes sobrenaturais que lhe garantem um espaço em uma sociedade equilibrada e pacífica, ficando acima e comandando os vermelhos.

Conforme o capítulo vai avançando, a sensação de que aquele universo é injusto vai ficando mais e mais intensa. A segregação feita pelos prateados só favorece a eles, e ver isso pelas descrições da protagonista é, ao mesmo tempo, inquietante e fascinante. É fácil se colocar no lugar de cada um daqueles que sofriam por serem considerados “menos” que os líderes da sociedade. E as coisas ficam ainda mais complexas quando descobrimos que, não bastando viverem uma vida muito mais difícil, grande parte dos vermelhos era enviada para uma guerra sem sentido. Se você conseguisse um oficio e um mestre para te ensinar, antes dos dezoito anos, você poderia continuar no “conforto” da sua casa. Caso contrário, você é enviado para a frente de batalha, e muito provavelmente nunca retornará.

E era isso que aconteceria com Mare em algumas semanas.

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Só que, de uma forma bem surpreendente, ela acaba indo trabalhar no palácio real. E, uma vez que está lá, ela não somente tem contato com a nobreza e a elite, que ela sempre desprezara, como começa a fazer parte desse grande jogo de poder e liderança deles: em um dia normal, ela descobre ter poderes também. E, agora, ela precisa descobrir como uma vermelha pode ter poderes mas, ainda mais importante, como sobreviver em meio à um povo que a despreza – e, agora, a teme.

Gente, não tem como NÃO AMAR ESSE LIVRO. Victoria conseguiu criar uma história com cenário, passado e costumes próprios, com uma sociedade diferente da nossa mas, ainda assim, com semelhanças suficiente para que nos reconheçamos nela. Comece o livro esperando por muitas emoções, porque é impossível não se emocionar com A Rainha Vermelha.

Mas nem sempre essas emoções serão boas. A injustiça predomina nessa sociedade segregacionista, o que me fez sentir impotente e angustiada enquanto lia algumas cenas mais tensas. Sem contar que, mesmo que queira, você não consegue confiar nos personagens, porque sempre existe uma névoa de desconfiança e traição na narrativa – ninguém sabe quem é quem naquele universo. Também se prepare para ter o coração acelerado: as cenas de ação são MESMO de tirar o fôlego e, mesmo que não possa de fato confiar nos personagens, você torce por eles.

E prepare-se para ser surpreendido em toda a trama. Aveyard não brinca em serviço, e coloca tantas surpresas no caminho que você não pode fazer nada além de esperar pela próxima mudança repentina. Personagens começam como uma coisa, e terminam como outra, completamente diferentes. O que torna o livro ainda mais empolgante a cada momento.

A ambientação de A Rainha Vermelha é espetacular. Você consegue entender o contexto histórico logo nas primeiras páginas, e a cada capítulo o cenário vai se expandindo e se tornando mais rico em seus detalhes e estrutura. O tom fantástico do livro é realçado com os elementos sobrenaturais, como os poderes dos prateados. E, até mesmo na questão dos poderes, a autora fez um ótimo trabalho. A hierarquia da “monarquia” é bem presente, tendo suas casas e descendências fortemente ligadas aos seus poderes – e é a partir daí que as relações são estabelecidas por lá.

Poderia falar sobre esse livro durante horas. Esse foi um dos livros que mais gostei de ler ultimamente. Agora vocês devem comprar o livro e compartilhar aqui o que acharam!