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Ambrose Young é lindo. Ninguém na cidade onde ele vive se atreveria a dizer qualquer coisa contrária a isso. Ele herdou a beleza de seu pai biológico, com ombros largos, cabelos que chegavam aos ombros, olhos hipnotizantes e muita, muita altura. Além disso, o rapaz é um atleta incrível e um lutador excelente. Era impossível não reparar – e admirar – o jovem Ambrose.

Para Fern, Ambrose Young era absolutamente lindo, um deus grego entre os mortais, um ser de contos de fadas e de telas de cinema.

Fern Taylor não poderia concordar mais. Para ela, Ambrose era exatamente o tipo de pessoa que protagonizaria um de seus romances favoritos. E, desde cedo, ela é apaixonada pelo colega de escola. Mas, por ser uma menina comum – e, na verdade, até mesmo feia – ela sabia que não poderia tê-lo nunca, que nunca seria o suficiente para que ele a quisesse.

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Só que isso muda completamente quando, no último ano da escola, o talentoso Ambrose e Jesse, Grant, Paul e Beans, seus melhores amigos, se alistam para o exército. Depois dos atentados de 11 de setembro, Ambrose se sentiu inquieto por não poder fazer nada e, quando um alistador do exército fora a sua escola, ele descobriu o que queria fazer quando terminasse a escola. Assim, ele pede para seus amigos o acompanharem e, por motivos diversos, todos aceitam. Mal sabiam eles que essa decisão afetaria suas vidas de uma forma impensável.

É difícil aceitar que você nunca vai ser amado do jeito que quer ser amado.

Faltando dois meses para o tempo de serviço dos rapazes acabar, eles sofrem um acidente horrendo nas ruas do afeganistão. Ambrose é o único que sobrevive. Gravemente ferido, depois de muito tempo no hospital e dezenas de cirurgias, ele retorna para casa. E, além de não ouvir ou enxergar de um lado, e estar com metade do rosto coberto por cicatrizes, ele tem que aprender a lidar com as perdas irreparáveis que a estadia no Afeganistão lutando pelo seu país lhe trouxe.

Fern e Bailey, seu primo e melhor amigo, sabem do retorno de Ambrose, e fazem de tudo para conseguir falar com o antigo amigo. Assim, aos poucos, essa dupla de nerds começa a conseguir fazer com que Ambrose volte a viver – e as experiências desse trio um tanto incomum são incríveis de se acompanhar.
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Acho que é por isso que a Fern sempre gostou tanto de ler. Os livros permitem que as pessoas sejam quem elas querem ser, para escapar de si mesmas por um tempo.

Amy Harmon criou uma história incrívelmente tocante em Beleza Perdida. Esse é, de longe, um dos meus cinco livros preferidos. Com uma história que remete à Bela e a Fera por causa da questão da beleza, Amy conseguiu encantar os leitores em uma narrativa contagiante, com personagens fortes e maravilhosos e histórias plausíveis, chocantes, lindas e emocionantes.

Para começar, temos Ambrose, que é esse jovem rapaz que é sempre reconhecido pela sua beleza mas que, no fim das contas, não se importa tanto com ela. Ao se ver sem a beleza pela qual foi rotulado por toda sua vida, Ambrose acaba perdido, sem conseguir enxergar o que de bom ele tem a oferecer para qualquer pessoa. E é aí que entra Fern, sua amizade sem medidas, sua fé em quem Ambrose era e sua paixão intrínseca por ajudar.

Você me faz sentir seguro, Fern. Me faz esquecer. E, quando eu te beijo, só quero continuar te beijando. Todo o resto desaparece. É a única paz que eu encontrei[…]

Fern passara a vida inteira sabendo que não era bonita. Para melhorar, sua melhor amiga sempre foi radiante e maravilhosa, e o completo oposto de Fern. Ela não era popular – nem queria ser – e sempre soube qual o seu “lugar” na sociedade. E Fern sempre fora apaixonada por Ambrose, mas não somente por aquela beleza que era capaz de lhe tirar o folêgo. Ela o amava por quem ele era quando ninguém estava olhando. Ela o amava por ser sensível, por ser amável. E agora, ela precisa mostrar pra ele que existe muito mais Ambrose além daquele que as pessoas conheciam. E que a aparência dele era o que menos importava pra ela.

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Além desses dois, temos outros personagens importantes e essenciais para a história. Na verdade, todos os personagens da história tem algum papel importante nela, e quando você começa a ler o livro você percebe os laços que os unem. A cidade onde o livro se passa é pequena e amigável, então todos se conhecem, se respeitam e se amam. Assim, temos ensinamentos tirados de todos os personagens, em todas as situações possíveis. E, por se passar em épocas diferentes (2001 é o presente, 1994 é a infância dos personagens), temos vislumbres de suas vidas que não existiriam de outra maneira, o que transforma a experiência em um momento mais profundo.

Ainda assim, precisamos falar sobre Bailey, um personagem cativante e corajoso, daqueles que você queria poder trazer para a vida real para se tornar amiga. Bailey tem uma doença degenerativa que ele descobriu aos 4 anos, então sua vida não é igual a de todos os seus colegas. Ele é extremamente inteligente, tem talento para a luta como seu pai, que é o treinador da escola, e sabe como melhorar o seu dia em um minuto. Mesmo com todas as limitações de sua doença, Bailey não desiste de viver, e conforme seu quadro vai piorando, mais maravilhoso ele se torna.

Amy Harmon teve uma sensibilidade absurda ao criar o cenário, a história principal, as histórias secundárias e cada um de seus personagens. Com uma narrativa poética, recheada de pensamentos e de momentos intensos, ela transformou Beleza Perdida em um livro que vai além do que estamos acostumados.  É um livro sobre o amor, sobre o perdão, e sobre a aceitação que acompanha esses sentimentos. E é um livro imperdível, que eu vou levar comigo por mais tempo do que poderia imaginar.