MATANDO BORBOLTAS M ANJELAIS RESENHANDO DE PIJAMAS (2)
Matando Borboletas é uma história complexa e intensa, que explora uma característica que nem sempre encontro em livros, que é a de ter um protagonista sociopata. Aqui, conhecemos Sphinx e Cadence, dois adolescentes que tem a mesma idade, a mesma cidade natal e mães que são melhores amigas.

Sarah, mãe de Sphinx, conheceu Leigh quando ainda era bem pequena – numa época em que ela não tinha nenhum outro amigo. A mãe de Cadence, que naquela época só sonhava com um filho em um futuro bem distante, tinha se tornado a melhor amiga de Sarah quase tão logo a conhecera. Esses laços só se estreitaram conforme os anos foram passando e as meninas foram crescendo. Até mesmo a promessa que as duas fizeram quando mais novas parecia a caminho de se tornar realidade. Só que nenhuma das duas tinha previsto tudo que aconteceria.

Sphinx e Cadence cresceram ouvindo a história da amizade de suas mães e de como, quando elas tinham menos de uma década de vida, elas planejaram ter filhos na mesma época. Para Sphinx, saber que sua vida e a de Cadence eram um sonho de infância de suas mães tranformava tudo em mágica. Ainda mais se ela considerasse o quanto Cadence era brilhante. Mesmo tendo a mesma idade, ela sabia que Cadence era muito mais inteligente que ela. Tudo que ela sequer sonharia em fazer ele já fazia com perfeição. Ela só não tinha percebido que tanta perfeição escondia uma cracterística horrível em seu primeiro amigo.

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Logo cedo, Cadence começa a demonstrar pequenos sinais de que não é uma criança como as outras. Quando tinham cinco anos, ele matou uma borboleta propositalmente, na frente de Sphinx, e não parecia nada arrependido do ato. Mas ele sabia disfarçar seu lado sombrio com perfeição e, ciente de que o que fazia era errado, sempre arrumava uma desculpa plausível para seus atos. Até ele machucar Sphinx,e seus pais começarem a duvidar de que todas aquelas coisas estranhas que aconteciam quando ele estava por perto eram apenas coincidências.

Depois do dia em que Cadence machuca Sphinx – e a deixa marcada para sempre – os dois não se vêem mais. As crianças se tornam adolescentes longe um do outro e, aos poucos, Sphinx acredita que Cadence possa ter se transformado numa pessoa melhor. E ela pode comprovar isso com os seus próprios olhos quando Leigh entra em contato com Sarah e lhe pede que as duas a visitem. Disposta a descobrir se Cadence tinha se transformado em um adolescente menos problemático, Sphinx aceita o convite. Mas, ao chegar na casa dele, ela começa a perceber que, se as coisas mudaram, mas não exatamente para melhor.

Esse é um livro difícil de diregir e difícil de enquadrar em um gênero. Não importa quanto tempo passe, ao pensar nessa história, a sensação é de que engolir fica mais difícil porque existe um bolo em sua garganta. É eletrizante, é intensa e não deixa que você tenha um minuto de paz enquanto a lê. Não imaginava como seria a leitura e, ao terminar, fiquei um tanto abismada com o conjunto da obra.

É muito bem escrito e desenvolvido e, como um bom thriller faria, escondia detalhes do leitor de forma tão sutil que, quando descobertos, esses detalhes mudavam tudo e nos faziam duvidar da nossa própria memória. Ler a relação de Sphinx com Cadence me fez prender a respiração por períodos longos de tempo, assim como ficar de boca aberta por mais tempo do que eu deveria.

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Cadence é um personagem forte, com uma personalidade difícil, que faz o que bem entende com maestria e, por ser tão esperto, sai ileso de qualquer que seja sua atitude. Ele é manipulador e, como qualquer sociopata, é cruel – então é impossível sentir qualquer tipo de simpatia por ele na maior parte do livro.

Sphinx, por sua vez, é uma pessoa meiga e sentimental, que acredita na mudança de Cadence. Ao se deparar com uma pessoa ainda mais perturbada do que ela se lembrava, suas atitudes podem surpreender o leitor e, com certeza, tornam a leitura ainda mais desesperadora – principalmente por nunca sabermos o que esperar de nenhum dos protagonistas.

Matando Borboletas foi um dos livros mais difíceis de resenhar na minha vida. Ainda não sei se gostei ou se simplesmente não consegui digerir o livro ainda – mas isso se deve simplesmente ao fato de ser um livro que retratou tão bem a força de manipulação de um sociopata que me deixou tensa. É uma história bem desenvolvida, plausível, real. Só é o tipo de história que você prefere não ter que viver nunca na vida, mas que ainda assim é interessante demais para não ser lida. E, acho que por mostrar como uma pessoa pode parecer perfeitamente aceitável quando quer (mesmo que esconda um monstro por sob a máscara de normalidade), me deixou mais inquieta do que eu esperava.