ao coração da tempestade will eisner (8)

Olá, quanto tempo meus amigos e amigas! Tudo bem?

Já passamos algumas boas semanas sem nos falar não é mesmo? Pois é, andei um bocado atarefado nesses últimos tempos; mudança de casa, casamento, mudança na rotina, provas e trabalhos para corrigir, muitos jogos para “zerar” e ainda tivemos algumas novidades nerds como o seriado do Demolidor e filmes novos (e bons) para assistir. Porém, sobrevivi à tudo e estou aqui para mais uma leva de resenhas, pois já estava com saudades de escrever!

O livro que escolhi desta vez foi a graphic novel (premiada e linda) de Will Eisner. Sim, estou repetindo autor e sim, pode ter certeza, vale muito a pena!

A Companhia das Letras publicou pelo seu selo, Quadrinhos na CIA, mais esta obra prima. Por que escolhi esta obra? Motivos não faltariam para uma justificativa:

1- Eisner é o mais importante quadrinista do século XX

2- Esta obra éuma das melhores histórias em quadrinhos já feita

3- O livro é um acompanhamento histórico do século XX e da vida do próprio Eisner (morto em 2005)

4- A narrativa e desenhos de Eisner estão no seu auge

5- O trabalho gráfico da CIA das Letras está simplesmente impecável!

6- O cara é tão importante que o maior prêmio dos quadrihos nos EUA recebe seu nome.

Vamos ao livro?

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Em 1990, Will Eisner era o maior quadrinista americano vivo e gozava, além do prestígio merecido, de uma maturidade impar para contar histórias. E foi a partir dessa maturidade que ele resolveu contar uma saga magnífica que, quando menos esperava, tornou-se um relato autobiográfico.

“Ao Coração da Tempestade” é o resultado dessa busca por uma história densa e com conteúdo capaz de agradar a todos que a lessem. Eisner nos conta a história de Willie e de sua família.

Willie, o protagonista, é um jovem desenhista que é convocado à lutar a II Guerra Mundial por seu país, os EUA. A partir desse momento, no trem à caminho da guerra (uma linda referência ao título do livro “ao coração da tempestade”)  Willie olha pela janela e vai relembrando passagens de sua vida e que o levaram até aquele momento. Willie retorna, em suas lembranças, ao final do século XIX (mais precisamente 1880) quando da chegada de seu avô materno aos Estados Unidos vindo da Romênia e como a morte do mesmo gerou efeitos contrários em seus 6 filhos (levados cada um  à escolhas diferentes como casamento por interesse, trabalhos noturnos, dedicação aos estudos, pequenos furtos…). Ao rever a trajetória de vida de sua mãe, Willie reconhece a sua importância e força para manter sua família de pé, frente aos constantes fracassos profissionais de seu pai, Sam, um pintor judeu vindo para os EUA de Viena na época da Primeira Guerra Mundial e que acabou trabalhando (e desperdiçando investimentos) em vários empreendimentos, até levá-los à falência ou sofrer com o impacto da crise econômica de 1929.

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Após rever as trajetórias de seus pais, Willie revê sua própria trajetória, uma infância recheada de preconceitos e violência, devido sua religião; relembra sua primeira paixão juvenil e seu primeiro grande amigo (que reencontra depois de anos e decepciona-se com sua atitude antisemita), seu primeiro carro, seu primeiro emprego como entregador de jornais e o início de sua carreira brilhante como quadrinista, interrompida temporariamente por sua convocação para a guerra. Eisner traça em sua obra, ao falar de sua família e origens, uma representação da trajetória dos judeus na América do século XX (passando por estereótipos sociais, preconceitos, intolerâncias…).

Posso ser sincero? Por mais que se tente classificar a obra de Eisner, nada que diga fará justiça à sua qualidade! Sua leitura é ágil, por horas leve e por horas densa, porém impossível de ser abandonada uma vez que iniciamos sua leitura, suas 215 páginas passam rápido e quando percebemos estamos no fim do livro e querendo mais.Sua narrativa está ainda mais afiada do que em obras anteriores e nos parece que assistimos à um filme (daqueles dos melhores e que sempre queremos rever e rever). Seu traço está lindo e seu uso do contraponto branco/negro jamais será igualado por ninguém, por mais que tentem, Eisner é inigualável e insuperável. Essa obra é meio que o seu canto do cisne e merece um lugar de destaque na coleção de qualquer pessoas de bom gosto! Vale cada centavo e minuto investido nele!

Enfim, vou nessa meu povo e nos vemos de novo em breve!

Gabba Gabba Hey

Igor Fernandez

OBS 1: Em minha humilde opinião, Eisner pode ser comparado à Chaplin, em importância, talento e sagacidade em representar o cotidiano e suas questões .

OBS 2: Seguindo o preceito da observação 1, eu revi vários filmes do Chaplin e sugiro que assistam ao filme “O Grande Ditador”, pois se passa no mesmo período em que a Graphic Novel de Eisner se passa.

OBS 3: Triste com a saúde fragilizada de Lemmy Kilmister.

OBS 4: O anime novo dos Cavaleiros do Zodíaco está muito bom! (Assim esquecemos o lixo chamado “Ômega”).

OBS 5: Cd novo do Matanza nas lojas! Corre cambada!

OBS 6: O trabalho gráfico da Companhia das Letras está impecável nesta Graphic Novel, linda capa, impressão precisa, ótimo papel e ainda conta com o novo acordo ortográfico e uma nova tradução à altura do trabalho de Eisner!