Sou viciada em séries de Tv adimito. Acho que tudo começou com as novelas mexicanas, que me faziam sair correndo da escola para não perder mais um capítulo, e acabou chegando no estágio que estou hoje – acompanhando dez séries , assistindo a quase vinte ao todo. Obviamente, nem sempre dá tempo de acompanhar tanta coisa com a rotina cheia de coisas a se fazer, mas eu sempre dou meu jeito. E se uma série parece ser boa… Bem, quem precisa dormir mesmo? E, ano passado, Marina, minha melhor amiga que tem um gosto sensacional para absolutamente tudo, me falou sobre essa série. A paixão começou pelo nome, My Mad Fat Diary, e se alastrou para tudo quando finalmente assisti ao primeiro capítulo. Foi amor à primeira vista.

A série conta a história de Rachel Earl, que todo mundo chama de Rae. Ela é uma adolescente de 16 anos, que vive nos anos 90, que acabou de sair de um hospital psiquiátrico depois de passar um período de quatro meses internada. Rae sofre, literalmente, com um dos males que mais atacam a autoestima, que é a obesidade. Em uma idade em que suas emoções e suas percepções podem ainda ser influnciadas demais pelas pessoas ao redor, mesmo quando elas estão erradas, ter algum problema com si mesmo é extremamente prejudicial. Na verdade, ter um problema com si mesmo é extremamente prejudicial em qualquer idade. A questão é: quando se é adolescente, tudo é muito mais intenso, e tudo pode parecer muito mais cruel ou libertador do que realmente é. Então, junto com sua obesidade, Rae apresenta também outros problemas, como a insegurança e a baixa auto-estima. E, consequentemente, a depressão. No seriado isso é mostrado desde o primeiro episódio, onde já somos apresentados às neuras da personagem, e conseguimos perceber que Rae não consegue se aceitar. E que, talvez, as pessoas com quem ela convivia também não sabiam aceitá-la. A adolescência não é bem o período mais fácil das nossas vidas, e todos podem ser alvo de discriminações e bullying – e acabamos sendo mesmo, independente de como parecemos. Quem quer ser mau consegue motivos para isso em qualquer momento.

Quando Rae sai do hospital, ela acaba tendo que voltar à sua vida de antes da internação, e agora tem que conseguir permanecer sã, sem se deixar afetar do modo como aconteceu antes de ser internada. E é desse jeito que ela volta a viver na sua casa e a sair com uma velha amiga. Chloe era sua amiga na infância, mas com o passar do tempo elas se afastaram, uma dessas coisas que a vida costuma fazer. Chloe é uma garota popular, nem sempre boa, que tem um grupo de amigos muito interessante. Eles são super descolados e tem ótimos assuntos, o completo oposto do que parecia ser o grupo normal de Rae. Ah, um detalhe: quando Rae foi internada, sua mãe espalhou na vizinhança que ela estava na França, passando um tempo com uma tia. E é assim que Rae, que tenta se reconectar com sua amiga mais antiga, conhece seus novos amigos: Archie, um garoto lindo e simpático que sempre inclui Rae nas conversas do grupo; Chop, um doidinho que não bate muito bem das idéias mas é muito divertido; Izzie, uma menina sonhadora e que vive no mundo da lua e a Finn Nelson, o amor da minha vida. Finn é o bonitinho que faz pose de durão e é super popular.

Rae também fez amigos no período que passou no hospital psiquiátrico, e eles estão bem presentes na série. Conhecemos Tix, que é uma adolescente que sofre com a anorexia e os distúrbios psicológicos que vem com ela. Tix não consegue apreciar o que vê no espelho, e claramente ela sofre com isso, mas ainda não encontrou uma maneira de contornar seu distúrbio alimentar. Danny “Two Hats” (ele passa a temporada inteira usando dois chapéus ao mesmo tempo) é um fofo, que muitas vezes dá conselhos amorosos para Rae. Os dois sofrem de depressão, e a relação entre eles três é muito bonita. Eles tentam se ajudar, e acabam sendo uma âncora uns para os outros, algo  que os mantêm lúcidos em um mundo repleto de loucuras.

My Mad Fat Diary traz temas que vão além da adolescente que sofre com a obesidade e ainda não sabe lidar direito com quem ela é (não que alguém realmente saiba fazer isso aos dezesseis). A série aborda outros temas muito sérios, e muito presentes no cotidiano: famílias que não funcionam muito bem, homossexualidade, bullying. O ponto forte da série é o modo como eles lidam com tantos problemas, sempre de forma divertida, sem transformar tudo em piada. E Rae, apesar de todos os seus problemas pessoais e de seus problemas em geral, consegue ser uma pessoa divertida, que começa a encontrar, com aquele grupo de amigos, o espaço que lhe é de direito na vida. Ela procurava um lugar onde se sentisse bem, e acabou encontrando no lugar mais improvável. Ela faz besteiras, ela se diverte com seus amigos e, aos poucos, vai aprendendo que o importante é tentar ser feliz, pelo menos na maior parte do tempo.Ver a evolução dos personagens conforme a série vai passando é uma daquelas experiências que aquecem o coração e te fazem querer voltar para aquela idade – ou, se você tiver essa idade, vai te fazer querer ser amigo dos personagens. Nenhum deles permanece completamente igual ao início da série. E você acaba se surpreendendo com muitas atitudes que eles tomam, torcendo para que certas coisas aconteçam, dando gritinhos de alegria em algumas cenas… É contagiante e extremamente bem feita.

A história é baseada no livro homônimo, que era realmente um diário de adolescência de Rae Earl. Quando mais velha, a autora decidiu publica-lo como livro. O livro é a história real e a série é baseada nele. O cenário e o figurino são tão impecáveis que te dá vontade de voltar para os anos noventa. E os atores estão longe de serem aqueles bonecos de porcelana perfeitos que estamos acostumados a ver em todas as séries por aí (não estou reclamando, só estou dizendo que gostei dessa diferença também), então realmente parece que é a história de um grupo de amigos que tentam sobreviver aos anos de adolescência, cheio de restrições e sonhos e problemas. E a trilha sonora é sensacional. Tudo que eu não curti nessa época (nasci em 92, mal tive contato com alguma música nacional além de Xou da Xuxa, que dirá com o Rock internacional) acabou vindo até mim.

Minha série preferida para indicar para todos foi a minha escolha para inaugurar a seção de séries do blog por ter uma história atemporal, e por, além disso, ter uma história e uma moral muito boas. E por ser extremamente divertida, com todos os pensamentos adolescentes regados em hormônios de Rae, que fazem com que  o seriado tenha um toque leve mesmo quando trata de assuntos tão complexos. Uma das séries que você não pode se atrever a não assistir. Atualmente, a série tem duas temporadas. A primeira tem só seis episódios (Não sei se amo ou odeio os britânicos por fazerem isso), e a segunda ainda está sendo transmitida, e vai ter 8 episódios. Portanto, se sua preocupação era não ter tempo de assistir a tudo, ela acabou agora. Não tem mais pretextos pra não assistir: corre e comece a entender a dinâmica da vida ligeiramente louca de Rae.