Era sábado e o dia era cinza, mas não chovia. Parecia que o outono queria mostrar que ele reinava ali, ao invés do verão. E tinha tudo para ser só mais um dia normal. Depois de algumas horas na nossa livraria preferida, os planos eram de ficarmos em casa até dar a hora de irmos pra uma pizzaria. Dias frios e lugares quentes pareciam combinar. Mas, de repente, fomos parar na praia. Justo nós três, as pessoas menos amantes de água e de exposição – ao sol e aos outros. Se não fosse um impulso, provavelmente ainda estaríamos na sala lá de casa, vendo alguma coisa inútil na TV. Ou pior: todos juntos, mas cada um no seu mundo, separados por nossas redes sociais. Benção do deserto, maldição do oceano. Era engraçado como a internet que nos uniu – e mantinha unidos –  mas, se não tomassemos cuidado, ela nos separava com uma facilidade incomum.
Então fomos.
Com roupas inapropriadas, no tempo inapropriado, no horário inapropriado.
Mas aquele passeio rápido não podia ter sido mais apropriado.
E uma hora depois, quando íamos para casa com nossos sapatos recheados de grãos de areia, o sorriso estava estampado no rosto. O tempo todo. Nada melhor que ser imprevisível num mundo cheio de coisas previsíveis. E, com a alma lavada (e minhas calças também), acabamos cheios de novos planos, e de vontade de ultrapassar outras fronteiras. Porque pode não parecer, mas algumas coisas são fronteiras que não conseguimos identificar até que as ultrapassamos. Agora estamos cheios de planos. Mas foi preciso de uma ajudinha dos amigos.